“Senhor, eu chorei por Adão. Chorei pelo melhor amigo. Chorei pelo meu inimigo. Chorei por mim. Chorei pela condição humana. Mas não quero que minhas lágrimas terminem em mim mesmo. Leva-me da contemplação da queda à contemplação da cruz. Se meu coração está frio, aquece-o. Se está endurecido, quebranta-o. Se não consigo chorar por Ti, ensina-me a Te amar mesmo sem lágrimas.”
É tão triste a vida do homem na Terra, depois que o pecado entrou no mundo. O pecado não apenas introduziu a culpa; ele feriu a própria experiência humana de viver na Terra. Desde que deixou o Éden, o homem carrega no coração a saudade de um mundo que já não existe.
Depois da queda, o homem passou a conhecer coisas que antes não faziam parte de sua existência: dor, medo, vergonha, cansaço, conflito, perda, envelhecimento e morte. A terra, que deveria ser lugar de cultivo e comunhão, tornou-se também lugar de suor e resistência.
Paulo expressa isso de maneira impressionante:
“Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora.” — Romanos 8:22
E não é somente a criação que geme:
“E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos...” — Romanos 8:23
Há, portanto, uma espécie de saudade do mundo que deveria ter sido.
Mas a mensagem bíblica não termina no Éden perdido. Termina com a restauração. O mesmo Deus que viu o homem sair do jardim promete um dia:
“E Deus limpará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor.” — Apocalipse 21:4
Talvez seja essa a grande tragédia da condição humana: o homem vive num mundo que ainda conserva vestígios da beleza original, mas carrega as cicatrizes da queda.
Por isso a vida pode ser tão bela e tão triste ao mesmo tempo. Há flores, amor, amizade, nascimento, música, memória e esperança — mas também despedidas, rugas, enfermidades, túmulos e lágrimas.
O pecado tornou a vida pesada; a esperança impede que ela se torne sem sentido.

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