terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

"A Travessia pelo Deserto das Serpentes"

Há um texto em Deuteronômio 8:15 que sempre fala muito comigo. Moisés lembra ao povo que Deus os conduziu pelo grande e terrível deserto,
“deserto de serpentes ardentes e escorpiões, terra seca e sem água”.

Quando leio esse texto, entendo que as  Escritura Sagradas não estão falando apenas de um lugar geográfico, mas de uma experiência de vida. Eu também atravessei um deserto assim. Não um deserto de areia apenas, mas um deserto da alma.

E preciso testemunhar algo com sinceridade: eu não enfrentei uma grande serpente de uma só vez. Foram muitas pequenas cobras. Cobrinhas, como a gente costuma dizer. Provas pequenas. Lutas aparentemente simples. Situações do dia a dia que, isoladas, pareciam inofensivas. Mas que se repetiam… todos os dias. E são essas pequenas cobrinhas que mais cansam. Porque não nos derrubam de uma vez — elas nos desgastam aos poucos.

Houve momentos em que pensei: “Isso não é nada, eu aguento.” Mas o acúmulo dessas picadas quase me fez perder a força, a alegria e a esperança.

Hoje consigo dar nome a esse tempo: foi o meu “Midbár ha-Nechashím — o deserto das serpentes.” Não um lugar no mapa, mas um período da vida marcado por sequidão, repetição e prova.

E a Bíblia chama essas ameaças silenciosas por um nome forte. Em Isaías 59:5, lemos sobre ovos de basiliscos — pequenos, escondidos, mas perigosos. E no Salmo 91:13, está escrito: “Pisarás o leão e a áspide; calcarás aos pés o leãozinho e o basilisco.” Ou seja, basiliscos: males pequenos na aparência, mas grandes no efeito se não forem enfrentados com fé. Foi exatamente assim que vivi. Pequenas cobras. Cobrinhas diárias. Basiliscos silenciosos.

Mas foi nesse deserto que algo precioso aconteceu. No deserto, aprendemos que não vivemos do que controlamos, mas do que Deus nos concede a cada dia. Aprendemos a depender, a esperar e a ouvir.

Assim como em Números 21, quando Deus transformou o veneno em cura, aprendi que o Senhor não desperdiça nenhuma travessia. Ele não me livrou do deserto, mas me sustentou dentro dele. E quando chegou o tempo certo, a bênção veio — clara, grande e inequívoca.

Hoje posso testemunhar com paz no coração: a grande bênção não veio apesar do deserto — ela veio por meio dele. O deserto não foi castigo. Foi escola. Foi preparo. Foi cuidado de Deus.

Se alguém aqui hoje se sente cansado por tantas pequenas lutas, não despreze o que está vivendo. Talvez você também esteja atravessando o seu deserto das serpentes. E assim como Deus fez comigo, Ele também o conduzirá até o outro lado. (Pr. Maurício de Souza Lino)

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