Lembro-me de meditar sobre
Ezequias, rei de Judá, e o dia em que orou a Deus, pedindo que sua vida fosse
prolongada. A Escritura diz que o Senhor ouviu sua oração e deu um sinal: o sol
retrocedeu dez graus. Mas, ao refletir sobre isso, compreendi algo profundo: o
milagre não aconteceu no céu, nem na rotação da Terra.
A Terra gira em torno do seu eixo
numa velocidade acima de 1.600 quilômetros por hora. Além disso, a Terra se
movimenta em torno do sol numa velocidade de aproximadamente 108.000
quilômetros por hora. O sol orbita o centro da nossa galáxia a quase 900.000
quilômetros por hora. E a nossa galáxia se movimenta pelo espaço numa
velocidade de mais de 2 milhões de quilômetros por hora.
Qualquer paralização desse
sistema causaria não apenas a extinção em massa de tudo o que há na terra, mas
um colapso universal. Então sim, o texto bíblico descreve algo impossível. Se a
Terra realmente parasse de girar, ondas gigantes arrasariam continentes,
terremotos destruiriam cidades, tsunamis e maremotos devastariam as costas. Esse
fenômeno aconteceu no interior do rei Ezequias.
O sol retrocedeu no seu coração,
no tempo da sua esperança, no ritmo de sua alma. Foi ali, no íntimo, que Deus
renovou a vida e reacendeu a luz da confiança. O milagre maior não era o astro;
era o movimento da alma de um homem diante do Senhor.
E então percebi que não se
tratava de um caso isolado. Em Josué, na batalha de Gibeão, o dia prolongou-se.
Os soldados viram o sol demorando-se no céu, mas de fato, o milagre foi na
experiência deles, não no planeta inteiro. Se assim fosse, o calor concentrado
do sol parado queimaria tudo naquele local antes mesmo de todos perceberem. No
entanto, cada coração exausto, cada braço levantado, cada olhar vigilante
percebeu o tempo estendido, pois, Deus, soberano sobre os astros, não precisou
alterar o cosmos inteiro: Ele atuou naquilo que era necessário para cumprir Sua
promessa.
Lembro-me da cena do Superman,
quando ele voa contra a rotação da Terra para salvar a jornalista que amava, e
tudo volta a um tempo antes do desastre. É uma imagem cinematográfica, mas
impossível na realidade natural: é exatamente aí que percebemos a diferença do
agir divino, Deus não precisa violar as leis da criação para intervir na vida.
Ele age no tempo da vida de cada pessoa, estendendo, restaurando e
transformando os momentos que parecem perdidos.
E mesmo assim, não existe
comparação entre super-heróis e o Deus Onipotente. Enquanto os heróis da ficção
possuem poderes limitados e enfrentam o tempo e a matéria, Deus é infinito,
eterno e soberano. Ele não depende de força física ou de estratégias humanas;
Sua presença sustenta o universo, Sua palavra transforma corações e Suas mãos
guiam a história.
Podemos admirar a coragem dos
heróis, mas é Deus quem oferece proteção verdadeira, amor sem limites e justiça
perfeita.
Toda metáfora humana sobre poder
ou bravura se dobra diante da grandiosidade do Criador, que não apenas salva,
mas mantém a vida, o tempo e o próprio cosmos.
E na nossa vida, isso acontece
todos os dias: em pequenas vitórias, curas inesperadas, decisões que se
alinham, portas que se abrem, esperança que renasce.
O “sol interior” volta a brilhar
constantemente, mostrando que o Senhor do tempo e da história nunca deixa de
intervir em nosso cotidiano.
Segundo a Palavra de Deus, todos
morreram e estão separados da glória de Deus, mas ao nos voltarmos a Ele,
aceitando Seu Filho Jesus como Senhor e Salvador, nosso tempo de vida, e o
tempo de todos os cristãos, é prolongado.
O pecado transtornou todo o
universo, trazendo caos, mas Deus, Onipotente, Senhor do tempo e da história, com
Sua misericórdia em ação, silenciosa, poderosa e perfeita, pôs ordem em tudo.

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