domingo, 31 de agosto de 2025

A Rebelião das Estrelas

Antes que houvesse tempo, antes que o homem respirasse pela primeira vez, antes que a Terra girasse em torno do sol, o universo já conhecia a adoração. Os céus resplandeciam com louvor, e os seres celestiais cantavam em harmonia diante do trono do Altíssimo. 
Era um tempo sem sombra, sem dor, sem divisão. Tudo vibrava em perfeita submissão ao Único Deus Todo Poderoso.

Mas mesmo no esplendor da luz, surgiu o orgulho.

Lúcifer, cujo nome significa “portador da luz”, foi criado com beleza incomparável. Seu brilho não era apenas estético — era reflexo da glória que o envolvia. Ele caminhava entre pedras preciosas, adornado com sabedoria e majestade. Era um querubim ungido, estabelecido para guardar, para servir, para refletir a glória divina.

Contudo, algo se corrompeu. A beleza tornou-se vaidade. A sabedoria tornou-se ambição. E o louvor que deveria subir ao trono passou a se curvar diante de si mesmo.

“Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono... serei semelhante ao Altíssimo.” — Isaías 14:13–14

Foi o primeiro pecado: não a desobediência, mas a soberba. Um desejo de ser como Deus. E com esse desejo, veio a queda. Não apenas de Lúcifer, mas de uma multidão de anjos que escolheram seguir sua rebelião. O céu, que antes vibrava em unidade, conheceu o conflito. Houve guerra nas alturas.

“Houve batalha no céu: Miguel e seus anjos batalhavam contra o dragão; e batalhava o dragão e seus anjos.” — Apocalipse 12:7

A rebelião das estrelas não foi apenas um evento — foi uma ruptura cósmica. Um rasgo na ordem divina. E como consequência, esses seres foram lançados fora, expulsos da presença gloriosa, condenados ao abismo. A Terra, então, tornou-se palco da continuação dessa guerra invisível. 

O exílio espiritual começou não com o homem, mas com os anjos caídos. E é nesse cenário que a criação humana acontece.

O homem é formado à imagem de Deus, colocado num jardim de comunhão. Mas a serpente, símbolo da antiga rebelião, já estava ali. O mesmo espírito que desejou ser como Deus agora sussurra ao ouvido da criatura: “Sereis como Deus...”

A rebelião das estrelas não terminou — ela apenas mudou de campo. E nós, filhos do pó e do sopro, passamos a viver entre dois reinos: o da luz e o das trevas. Cada escolha, cada pensamento, cada inclinação do coração é parte dessa batalha.

Mas há esperança. Porque mesmo diante da queda dos anjos, Deus não foi surpreendido. O Cordeiro já estava preparado — desde antes da fundação do mundo. A rebelião não encerra a história. Ela apenas prepara o palco para a maior demonstração de amor e redenção que o universo já conheceria.

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