O visível não é a totalidade do real. Não é o limite da realidade. Existe uma realidade maior do que nossos sentidos conseguem perceber, uma realidade espiritual que normalmente permanece além dos nossos olhos.
Há realidades que não começam a existir quando passamos a enxergá-las. Elas já existem; o que muda é a nossa capacidade de percebê-las.
É nesse ponto que a fé entra. A fé não cria a realidade de Deus; ela nos permite entrar em contato com uma realidade que já existe, embora ainda não seja plenamente percebida pelos sentidos. É uma espécie de abertura dos olhos para a realidade de Deus, para uma dimensão que ultrapassa os limites da percepção humana.
Por isso, a fé não me faz enxergar o que desejo. Ela me permite perceber o que Deus quer que eu veja.
A fé não traz Deus para uma realidade onde Ele não estava. A fé abre o homem para uma realidade na qual Deus sempre esteve.
Talvez essa seja uma das dimensões mais profundas da fé: compreender que existem realidades que não dependem da nossa capacidade de enxergá-las. O fato de não conseguirmos percebê-las não significa que deixaram de existir. Nossa limitação não diminui a realidade; apenas revela o limite dos nossos sentidos.
Assim, a fé não acrescenta Deus ao mundo. Ela nos permite descobrir que Deus já estava presente — e que sua realidade é infinitamente maior do que o mundo que nossos olhos conseguem alcançar (Pr. Maurício).

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