A distinção entre fase e pecado é
crucial na teologia cristã, especialmente no que tange à moralidade e ao
amadurecimento espiritual. A diferença fundamental reside na intenção, no
consentimento e na transgressão consciente das leis divinas.
“Hoje, quando a queda já não é mais queda, é fase”
transforma o fracasso em travessia. A palavra queda costuma sugerir fim,
derrota, ruptura. Mas fase sugere processo, passagem, tempo de transição. Nessa
releitura, o que antes parecia apenas ruína passa a ser também intervalo de
formação.
Há aí uma força muito profunda: nem toda queda deixa de
doer, mas ela pode deixar de definir. Quando se chama de fase, reconhece-se que
aquilo não é o nome definitivo da pessoa, apenas um trecho do caminho. A dor
continua real, mas perde o poder de se tornar identidade: transgressão!
Ela critica o modo como, hoje, se suaviza a gravidade do
pecado por meio da linguagem. Já não se chama queda porque “queda” carrega
peso, culpa, ruptura, necessidade de arrependimento. Chama-se fase porque
“fase” parece algo passageiro, quase natural, psicologicamente aceitável, sem
urgência de conversão. Assim, troca-se uma palavra por outra, mas não por
inocência: troca-se para aliviar a consciência.
Há nisso uma percepção muito aguda: quando o pecado ganha
nomes mais leves, ele não deixa de ser pecado; apenas se torna mais tolerável
aos olhos de quem quer permanecer nele. A mudança de vocabulário pode funcionar
como mecanismo de desculpa. O erro deixa de ser confessado como rebelião,
fraqueza moral ou desobediência, e passa a ser tratado como etapa do
amadurecimento, como se toda transgressão fosse inevitável e até legítima.
Hoje, a queda já não é mais chamada de queda, mas de fase,
para que o pecado pareça menos grave e a consciência não precise enfrentar o
peso da verdade.
Chamam de fase aquilo que antes se reconhecia como queda,
porque o pecado, para ser aceito, primeiro precisa ser rebatizado.
A queda virou fase quando o homem deixou de querer
arrependimento e passou a querer justificativa.
A fase pode ser um tempo de aprendizado, mas se o
comportamento inclui a quebra consciente das leis divinas, a teologia
classifica como pecado. A bíblia não chama pecado de erro, fase ou processo.
Chama de pecado. E ordena arrependimento. Se você não der o nome real ao seu
erro, a graça não terá o que tratar; ou seja, o sangue de Jesus derramado no
calvário não lava equívocos, falhas, fases ou processos; lava pecados. A
confissão abre espaço para a graça restauradora de Deus (Pr. Maurício).

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